Nossas empresas e a crise


O Brasil está em crise, e não é das pequenas. Uma crise econômica séria agravada por escândalos de corrupção em número e valores sem precedentes, pelos menos para o cidadão comum.

Além disso, não sei se causa ou efeito , uma confusão política que nos deixa perplexos pois não aparece uma liderança em quem se possa confiar, que nos apresente ao menos uma direção, um caminho a seguir que poderia tirar o Brasil deste atoleiro.

Os analistas apontam que não há investimento privado porque não há confiança no governo; que o governo não é capaz de apresentar um conjunto coerente de políticas públicas que indique um rumo; que a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é resultado de pouco investimento em educação; e por aí vai.

Felizmente já se admite que esta crise é nossa, não apenas decorrência das condições da economia mundial.

O quadro é este, não é nada animador, mas o quê podemos fazer? Aparentemente as questões colocadas acima estão além de nossa capacidade de intervir. Mas a realidade do dia-a-dia indica um mercado em retração, vendas em queda, crédito difícil e caro. Investir em novos produtos, em novas tecnologias? A cautela recomenda que não.

Não há dúvidas de que as empresas têm que reduzir custos. Iniciativa que deve deveria estar presente em todas as empresas, independentemente das crises.

Mas como reduzir custos? Demitindo? Claro que não, pois gastou muito dinheiro para montar a equipe.

Devemos parar de lastimar e voltar nossa atenção para dentro de nossas empresas. Lá, sem maiores gastos de recursos financeiros, há uma infinidade de iniciativas que podem conduzir a melhorias dos processos de produção e gerenciais. E, naturalmente, redução de custos.

Algumas perguntas para as quais podemos, juntos, buscar as respostas:

- seus processos de produção e gerenciais estão mapeados? As interfaces entre eles estão bem definidas? Quem são os responsáveis por eles?

- você tem controle sobre esses processos? Indicadores de produtividade estão estabelecidos e são acompanhados pela direção?

- todas as atividades existentes estão integradas em algum processo? Essas atividades são de conhecimento dos empregados envolvidos com elas?

- o nível gerencial intermediário trabalha como um time ou na base do “cada um por si”?

- Seus empregados são chamados a refletir sobre a “economia” dos processos com os quais estão envolvidos? Foram chamados a opinar sobre alternativas ao modo de execução das atividades?

Por que não aproveitar a baixa na demanda e explorar o conhecimento dos seus colaboradores na busca de alternativas mais adequadas aos tempos atuais?

É o conceito de inovação, às vezes tão distante, sendo posto a serviço da empresa.


Junho de 2015
Aluisio Marri
Consultor em Gestão Empresarial